Um Funcionário que Pede Para Não Ser Identificado

Ano: Projeto em Desenvolvimento

Produção: Gávea Filmes

Direção: Michel Melamed

Após seus dois últimos trabalhos cênicos desenvolvidos com elencos (“adeusàcarne ou Go To Brazil” e “Seewatchlook – O que você vê quando olha o que enxerga?”) o artista Michel Melamed retoma sua pesquisa de linguagem sobre espetáculos solo, inciada com a Trilogia Brasileira, composta pelos monólogos Regurgitofagia (2004), Dinheiro Grátis (2006) e Homemúsica (2009). O projeto “Um Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado” é, assim, antes de mais nada, a retomada do desenvolvimento de uma pesquisa de linguagem cênica e de um modelo de criação e produção teatral. Seu ponto de partida será uma série de encontros com diferentes pensadores, filósofos e artistas contemporâneos, dentre estes, Roberto Machado, Angela Materno, Viviane Mosé, Antonio Cícero, Milton Machado, Roberto Corrêa dos Santos, Luis Alberto de Carvalho e Charles Watson. O objetivo: mapear as diversas “fronteiras desguarnecidas” e consequentes reflexões sobre os universos público e privado, uma das questões centrais do mundo contemporâneo, da produção artística e das novas mídias. À partir destes encontros, Michel desenvolverá o texto do espetáculo. Paralelamente à escrita, será iniciado um processo de experimentação espacial das temática dentro de uma perspectiva cênica, isto é, a partir do espaço do palco e das formulações da linguagem conhecida como “monólogo”. No primeiro caso, a ideia é estabelecer dois espaços cênicos dentro do espaço principal e experimentar as nuances e transformações quando do ator sob os holofotes em contraposição ao camarim. No segundo, os debates relativos a linguagem teatral conhecida como “monólogo”, uma das principais linguagens cênicas contemporâneas, com características e tradições próprias, mas, curiosamente, tema de eventual discordância entre artistas e críticos. Pois se da perspectiva dos artistas, especialmente dos atores, é visto como grande desafio, prova de maturidade e domínio cênico, por parte da crítica é questionado como linguagem teatral, como se a presença do único ator prescindisse de contracenação, como se o próprio público não contracenasse com o espetáculo, o ator com o texto, a luz e o espaço e assim sucessivamente. Seja por suas facilidades produtivas, seja por seu caráter de manifesto, na maior parte das vezes servindo como veículo para declarações diretas e pessoais, e, deste modo, não raro ser escrito, dirigido e interpretado pelo mesmo artista e então borrando muitas vezes as fronteiras entre personagem e ator, fato é que em diversas lugares do mundo e, especialmente no Brasil, o monólogo ocupa parte considerável da produção cênica contemporânea. Ponte entre gêneros diversos, da poesia falada ao stand-up comedy, passando por diferentes artistas solo (músicos, performers, etc.), os monologuistas em alguns países, como, por exemplo, os Estados Unidos, formam um verdadeiro segmento criativo, com tradição, iconografia e linguagens próprias, envolvendo nomes consagrados como Spalding Gray, Eric Bogosian, Penny Arcade e Karen Finley até os contemporâneos Mike Daisey e Reggie Watts. Assim, debruçando-se sobre o gênero é que “Um Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado” pretende usar a linguagem como metáfora para o desafio contemporâneo de mediação entre a vida privada e pública, ambicionando descortinar as pontes entre a singularidade e o coletivo, cidadão e sociedade, solidão e abandono, o eu e o outro, sucesso e fracasso, reconhecimento e anonimato, observador e observado, ator e público, para, finalmente, sempre através da poesia e do humor, estimular a razão crítica do público sobre o mundo em que vivemos.

Ficha Técnica:

Atuação, Texto, Cenário, Luz e Direção: Michel Melamed

Figurino: Luiza Marcier

Arte: Adriano Motta

Produção: Bianca De Felippes